Cor: Branco | 1ª Semana do Saltério | Ofício Solene | Missa: Glória, Sequência, Prefácio da Páscoa
Aclamação ao Evangelho Sl 117 (118),24
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Este é o dia que o Senhor fez para nós,
alegremo-nos e nele exultemos!
EVANGELHO
Assim está escrito: O Cristo sofrerá
e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 24,35-48
Naquele tempo,
os discípulos contaram
o que tinha acontecido no caminho,
e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
Ainda estavam falando,
quando o próprio Jesus apareceu no meio deles
e lhes disse:
“A paz esteja convosco!”
Eles ficaram assustados e cheios de medo,
pensando que estavam vendo um fantasma.
Mas Jesus disse:
“Por que estais preocupados,
e porque tendes dúvidas no coração?
Vede minhas mãos e meus pés:
sou eu mesmo!
Tocai em mim e vede!
Um fantasma não tem carne, nem ossos,
como estais vendo que eu tenho”.
E dizendo isso,
Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés.
Mas eles ainda não podiam acreditar,
porque estavam muito alegres e surpresos.
Então Jesus disse:
“Tendes aqui alguma coisa para comer?”
Deram-lhe um pedaço de peixe assado.
Ele o tomou e comeu diante deles.
Depois disse-lhes:
“São estas as coisas que vos falei
quando ainda estava convosco:
era preciso que se cumprisse tudo
o que está escrito sobre mim
na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”.
Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos
para entenderem as Escrituras,
e lhes disse:
“Assim está escrito:
O Cristo sofrerá
e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia
e no seu nome, serão anunciados
a conversão e o perdão dos pecados
a todas as nações, começando por Jerusalém.
Vós sereis testemunhas de tudo isso”.
Palavra da Salvação.
Cor: Branco | 1ª Semana do Saltério | Ofício Solene | Missa: Glória, Sequência, Prefácio da Páscoa
Vós matastes o autor da vida,
mas Deus o ressuscitou dos mortos.
Leitura dos Atos dos Apóstolos 3,11-26
Naqueles dias,
como o paralítico não deixava mais Pedro e João,
todo o povo, assombrado,
foi correndo para junto deles,
no chamado “Pórtico de Salomão”.
Ao ver isso, Pedro dirigiu-se ao povo:
“Israelitas, por que vos espantais
com o que aconteceu?
Por que ficais olhando para nós,
como se tivéssemos feito este homem andar
com nosso próprio poder ou piedade?
O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó,
o Deus de nossos antepassados
glorificou o seu servo Jesus.
Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos,
que estava decidido a soltá-lo.
Vós rejeitastes o Santo e o Justo,
e pedistes a libertação para um assassino.
Vós matastes o autor da vida,
mas Deus o ressuscitou dos mortos,
e disso nós somos testemunhas.
Graças à fé no nome de Jesus,
este Nome acaba de fortalecer este homem
que vêdes e reconheceis.
A fé que vem por meio de Jesus
lhe deu perfeita saúde
na presença de todos vós.
E agora, meus irmãos,
eu sei que vós agistes por ignorância,
assim como vossos chefes.
Deus, porém, cumpriu desse modo
o que havia anunciado pela boca de todos os profetas:
que o seu Cristo haveria de sofrer.
Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos,
para que vossos pecados sejam perdoados.
Assim podereis alcançar
o tempo do repouso que vem do Senhor.
E ele enviará Jesus,
o Cristo, que vos foi destinado.
No entanto, é necessário que o céu o receba,
até que se cumpra
o tempo da restauração de todas as coisas,
conforme disse Deus, nos tempos passados,
pela boca de seus santos profetas.
Com efeito, Moisés afirmou:
‘O Senhor Deus fará surgir, entre vossos irmãos,
um profeta como eu.
Escutai tudo o que ele vos disser.
Quem não der ouvidos a esse profeta,
será eliminado do meio do povo’.
E todos os profetas que falaram,
desde Samuel e seus sucessores,
também eles anunciaram estes dias.
Vós sois filhos dos profetas e da aliança,
que Deus fez com vossos pais,
quando disse a Abraão:
‘Através da tua descendência serão abençoadas
todas as famílias da terra’.
Após ter ressuscitado o seu servo,
Deus o enviou em primeiro lugar a vós,
para vos abençoar,
na medida em que cada um se converta
de suas maldades”.
Palavra do Senhor.
Salmo 8,2a e 5.6–7.8–9 (p. 2ab)
R: Ó Senhor, nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Ó Senhor, nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!
Perguntamos: “Senhor que é o homem, †
para dele assim vos lembrardes *
e o tratardes com tanto carinho?” R
Pouco abaixo de Deus o fizestes, *
coroando-o de glória e esplendor;
vós lhe destes poder sobre tudo, *
vossas obras aos pés lhe pusestes: R
as ovelhas, os bois, os rebanhos, *
todo o gado e as feras da mata;
passarinhos e peixes dos mares, *
todo ser que se move nas águas. R
Das Catequeses de Jerusalém
(Cat. 20, Mystagogica 2, 4-6: PG 33,1079-1082)(Séc. IV)
Batismo, sinal da paixão de Cristo
Fostes conduzidos à santa fonte do divino Batismo, como Cristo, descido da cruz, foi colocado diante do sepulcro.
A cada um de vós foi perguntado se acreditava no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vós professastes a fé da salvação e fostes por três vezes mergulhados na água e por três vezes dela saístes; deste modo, significastes, em imagem e símbolo, os três dias da sepultura de Cristo.
Assim como nosso Senhor passou três dias e três noites no seio da terra, também vós, na primeira emersão, imitastes o primeiro dia em que Cristo esteve debaixo da terra; e na imersão, a primeira noite. De fato, como aquele que vive nas trevas não enxerga nada, pelo contrário, aquele que anda de dia está envolvido em plena luz. Assim também vós, na imersão, como que mergulhados na noite, nada vistes; mas na emersão, fostes como que restituídos ao dia. Num mesmo instante, morrestes e nascestes, e aquela água de salvação tornou-se para vós, ao mesmo tempo, sepulcro e mãe.
Apesar de situar-se em outro contexto, a vós se aplica perfeitamente o que disse Salomão: Há um tempo para nascer e um tempo para morrer (Ecl 3,2). Convosco sucedeu o contrário: houve um tempo para morrer e um tempo para nascer. Num mesmo instante realizaram-se ambas as coisas e, com a vossa morte, coincidiu o vosso nascimento.
Ó fato novo e inaudito! Na realidade, não morremos nem fomos sepultados nem crucificados nem ainda ressuscitamos. No entanto, a imitação desses atos foi expressa através de uma imagem e daí brotou realmente a nossa salvação.
Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isto foi para nós um dom da graça, a fim de que, participando da sua paixão através do mistério sacramental, obtenhamos na realidade a salvação.
Ó maravilha de amor pelos homens! Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação.
Ninguém, portanto, julgue que o batismo consista apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção filial. Assim era o batismo de João que concedia tão-somente o perdão dos pecados. Pelo contrário, sabemos perfeitamente que o nosso batismo não só apaga os pecados e confere o dom do Espírito Santo, mas é também o exemplar e a expressão dos sofrimentos de Cristo. É por isso mesmo que Paulo exclama: Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele (Rm 6,3-4).