Retiro Mensal


Domingo do sal da terra e da luz do mundo

5º do Tempo Comum – Ano A

Retiro PDDM, Província Brasil 1


. Leitura orante dos textos bíblicos

Ler, primeiro, o Evangelho, de Mateus 5,13-16, e conversar sobre o que chamou a atenção no texto. Em seguida, ler a segunda leitura, de Isaías 58,7-10, o Salmo responsorial, 112(111), e a segunda leitura, de 1Coríntios 2,1-5. A partir disso, observar: como esses textos estão combinando com o Evangelho?

2. Para ajudar na compreensão dos textos

Depois de pronunciar as bem-aventuranças e de conclui-las dirigindo-se aos discípulos - “bem-aventurados vós quando vos perseguirem" (Mt 5,11-12), - neste domingo Jesus dirige-se a eles, qualificando-os de "sal da terra” e “luz do mundo”. E isso nada tem de triunfalista, nem pode gerar neles presunção ou orgulho. É Jesus quem diz: "Vós sois a luz", não são os discípulos que dizem: "Nós somos a luz". A luz é Cristo (Mt 4,16; Lc 2,32; Jo 8,12), da qual os discípulos são reflexo. Sal no contexto do evangelho de Mateus tem a ver com sabedoria. E o tornar-se insosso do verbo grego moraíno, significa tornar-se tolo (Rm 1:22). O adjetivo morós, da mesma raiz, indica as virgens néscias (Mt 25,2.3.8), o insensato que constrói a casa sobre a areia (Mt 7,26), os escribas e os fariseus "insensatos e cegos" (Mt 23, 17)). Ser sal é possuir a sabedoria, que não combina com excesso de informação tão apreciada hoje em dia, ou com um conhecimento meramente intelectual. A sabedoria passa pela experiência de humanização, dá estabilidade, e é obra do Espírito que animou Jesus desde a sua encarnação.

Ser luz e ser sal dizem respeito à modalidade da presença dos cristãos no mundo. Mas isso não é um fato adquirido por direito ou por mérito, é algo que se processa na pessoa de fé que exercita uma escuta contínua de Jesus na Escritura e na vida, e busca alinhar a própria vida conforme as bem-aventuranças. Mateus dirige as palavras de Jesus, aos cristãos que em suas comunidades vivenciam fenômenos de clericalismo, protagonismo, vaidade, ambição e busca de poder a exemplo dos escribas e fariseus. Por isso alerta para a armadilha de buscar ser luz e sal para ser vistos e reconhecidos. Ao contrário, o brilho da luz é para que, quem vê a obra da comunidade de fé iluminada, seja levado à adesão teológica, à dar glória a Deus.

Esta condição mantém o crente na humildade e permite-lhe participar na sabedoria do Evangelho e testemunhá-la, bem como acolher e difundir a luz de Cristo bem no concreto de cada dia: “reparte o pão como o faminto (...) e tua luz brilhará como aurora” (1ª leitura); “Quem é caridoso e prestativo, brilha nas trevas como luz para os justos” (Salmo)

Bom retiro a todas (os)!

Secretariado de Espiritualidade PDDM

Fevereiro de 2023