Retiro Mensal

SECRETARIADO DE ESPIRITUALIDADE
RETIRO – AGOSTO DE 2023


TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

“O Espirito Santo apareceu na nuvem luminosa e a voz do Pai se fez ouvir: este é o meu Filho amado, nele depositei todo o meu amor. Escutai-o”.

 

  1. Refrão: Misericordioso é Deus, sempre, sempre o cantarei… ou outro.
  2. Invocação ao Espírito Santo
  3. Proposta para oração pessoal e silenciosa.
  4. . Oração pessoal * Na oração pessoal, abrir o coração e permitir ao Espírito que molde nossa vida na vida de Jesus Cristo, nosso Divino Mestre!
  5. * Depois do deserto, dedicar um tempo para a partilha comunitária
  6. * Concluir com o canto do salmo ou outra oração.

O fato da Transfiguração de Jesus acontece logo após a apresentação de suas exigências: o discípulo é convidado a arriscar a própria vida pelo seu Mestre (Mt 16, 24-28). Pouco antes de ir à Jerusalém celebrar a Páscoa, diante de três dos seus discípulos, Jesus mostrou-se luminoso; “o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz”, antecipa desta forma a sua ressurreição gloriosa. A glória de Deus espalha-se por todo o universo, desde a criação, e nos seus habitantes, vindo a culminar na pessoa de Jesus, que se revela da glória do Pai. (cf. Marcel Domergue sj). 

Nesta festa, que celebramos dentro do ano vocacional da Igreja e do Jubileu da Congregação, é oportuno recordar e rezar também com a experiência vivida pela madre Escolástica, na festa da Transfiguração de 1941, dia em que se contempla Jesus a caminho rumo a sua Hora. Assim ela escreve: “Hoje 6 de agosto, festa da Transfiguração de Jesus, eu fiz a oferta da minha vida pela Congregação das Pias Discípulas. Aceitarei do Senhor tudo quanto for do seu agrado dispor enviar-me para este fim e para descontar, nesta vida, todas as minhas faltas e obter a graça de morrer num ato perfeito de amor a Deus. Tudo isso com a ajuda de Jesus e de Maria”. É na eminente oferta de Jesus, que a fiel discípula faz a sua oferta. O Divino Mestre a introduz no caminho de uma oferta que a marcará profundamente para o resto da vida.

No evangelho de Mt 17,1-9 o evangelista no seu relato, quer transmitir algo da experiência original de poder conhecer a Jesus de uma “outra” maneira e usa expressões intensas: “alta montanha”, “seu rosto brilhou como sol”, “suas vestes ficaram brancas como a luz”, Moisés e Elias, conversando com Jesus, “uma nuvem luminosa os cobriu”, e uma “voz”, saindo da nuvem, revelou a verdadeira identidade d’Ele: “Este é meu Filho amado, escutai-o”. São expressões vigorosas que comunicam a emoção de haver descoberto o “outro rosto” de um amigo. (cf. Adrolado Palaoro sj).

O centro desse relato, chamado a «transfiguração de Jesus», é ocupado por uma voz que vem de uma estranha «nuvem luminosa», símbolo que se utiliza na Bíblia para falar da presença sempre misteriosa de Deus, que se nos manifesta e, ao mesmo tempo, se nos oculta.

A voz diz estas palavras: “Este é o meu Filho, em quem coloquei o meu agrado, Escutai-O”. Os discípulos não devem confundir Jesus com ninguém, nem sequer com Moisés ou Elias, representantes e testemunhas do Antigo Testamento. Jesus é o Filho querido de Deus, o que tem o Seu rosto «resplandecente como o sol».

Mas a voz acrescenta algo mais: “Escutai-O”. Em outros tempos, Deus tinha revelado a Sua vontade por meio dos «mandamentos» da Lei. Agora a vontade de Deus concretiza-se num só mandato: “Escutai Jesus”. O escutar estabelece a verdadeira relação entre os seguidores e Jesus. (cf. José A. Pagola).

Ouvindo hoje o convite do Pai para escutar o seu Filho, recordamos também a palavra do Papa Francisco que convida a “escutar com o coração”. Assim ele se expressa na mensagem para o dia Mundial das Comunicações, 2022: a partir das páginas bíblicas aprendemos que a escuta não significa apenas uma percepção acústica, mas está essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. O «shema’ Israel – escuta Israel» (Dt 6, 4) – nas palavras iniciais do primeiro mandamento do Decálogo – é continuamente lembrado na Bíblia, a ponto de São Paulo afirmar que «a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). De fato, a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça, como acontece com o recém-nascido que responde ao olhar e à voz da mãe e do pai. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando consequentemente mais livre o ser humano. A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso «inclina o ouvido» para escutá-lo....  Assim temos, por um lado, Deus que sempre Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, o homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor.  E o pedido que o Pai repete hoje é “Escutai Jesus”! 

Pode-se afirmar que a Transfiguração foi uma centelha de glória divina que inundou os apóstolos de uma felicidade tão grande que fez Pedro exclamar: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas…” (Mt 17, 4). Pedro quer prolongar aquele momento. Mas, ele não sabe o que diz; pois o que é bom, o que importa, não é estar aqui ou ali, mas estar com Cristo, em qualquer parte. O que importa mesmo é vê-lo, escutá-lo e viver sempre com Ele, nas circunstâncias habituais da vida.

A festa de hoje também sinaliza que, pelo caminho do sofrimento e da cruz, assumido no amor pode-se chegar à ressurreição. Pedro nos representa a todos (as), quando se pretende viver e anunciar a alegria da ressurreição, sem passar pela generosa entrega e pela morte. Também nós preferimos montar a nossa tenda na montanha. Mas é preciso passar pela experiência mística e coletiva da missão, do anúncio do Evangelho. O convite que o Pai faz aos discípulos para escutar Jesus vale para nós hoje. Mais do que um convite é uma convocação para a missão e para o engajamento na realidade concreta da missão.

Na primeira leitura, Daniel 7,9-10.13-14, o profeta contempla, nas margens dos rios da Babilónia, uma visão da majestade de Deus que faz lembrar o acontecimento do Tabor. Em uma visão noturna, ele vê a história do ponto de vista de Deus. Sucedem-se os impérios e os opressores, mas o projeto de Deus não falha. Ele é o último juiz, que avaliará as ações dos homens e intervirá para resgatar o seu povo. Aos reinos terrenos contrapõe-se o Reino que o Ancião confia a um misterioso “filho de homem” que vem sobre as nuvens. Trata-se de um verdadeiro homem, mas de origem divina. Aqui já não se trata do Messias davídico que havia de restaurar o Reino de Israel, mas da sua transfiguração sobrenatural: o Filho do homem vem inaugurar um reino que, embora se insira no tempo, “não é deste mundo” (Jo 18, 36). Ele triunfará sobre as potências terrenas, conduzindo a história à sua realização escatológica. Jesus irá identificar-se muitas vezes com esta figura bíblica na sua pregação e particularmente diante do Sinédrio, que o condenará à morte.

Sl. 96(97) - Deus é rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.

Na leitura de 2Pd 1,16-19, São Pedro e os seus companheiros reconhecem-se portadores de uma graça maior que a dos profetas, porque ouviram a voz celeste que proclamava Filho muito amado do Pai, Jesus, o seu Mestre. Mas a Palavra do Antigo Testamento continua a ser “uma lâmpada que brilha num lugar escuro” (v. 19), até ao dia sem fim, quando Cristo vier na sua glória. Jesus transfigurado fortaleceu a fé dos discípulos e hoje sustenta a nossa fé, e acende em nós o desejo da esperança na caminhada. A “estrela da manhã” já brilha no coração de quem espera vigilante. 
Neste retiro, somos convidados (as) a contemplar a face de Jesus transfigurado e a ouvir o que Ele diz. Nele encontraremos força para assumir os sofrimentos, as dificuldades da vida, a alegria e a disposição para a oferta e para o engajamento na missão até o dia em que poderemos contemplá-Lo na glória do Pai.

- Partilha comunitária
- Concluir a partilha com o Salmo 32 ou outra oração.

 

 

Bom retiro a todas (os)!

Secretariado de Espiritualidade PDDM

Agoato de 2023