Retiro Mensal

DOMINGO DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

Retiro PDDM -6 de agosto 2017

Festa da Transfiguração do Senhor

 

Hoje o mundo recorda a tragédia causada pela Bomba de Hiroshima, 1945

Leituras bíblicas: Daniel 7,9-10.13-14 • Sl 97(96) 2Pedro 1,16-19 • M’ateus 17,1-9

 

Tempo de oração pessoal:

Recordar os passos da leitura orante. Leitura atenta e amorosa, em oração. Buscar o rosto de quem fala pela mediação da Escritura. A Palavra se revela e se realiza em nós pela ação operosa do Espírito [meditação, oração]. A nós cabe a leitura perseverante e assídua. O último passo é a contemplação [intima percepção do que acontece e permanece em nós como fruto da lectio].  Partilhar... Escutar a partilha das irmãs

 

Para completar a Leitura:

1. Mateus liga o relato da transfiguração à confissão de Pedro, na Cena da Cesareia, do mesmo modo que associou o batismo de Jesus as provações que enfrentou no deserto. A transfiguração é experiência mística de três discípulos que Jesus escolheu para compartilhar sua intimidade com o Pai. É uma visão que os discípulos tem. Eles é que são chamados a transformar a sua visão sobre Jesus.  A cena tem como pano de fundo a experiência do êxodo, no qual Deus descia sobre a tenda e Moisés ficava com o rosto luminoso [Ex 34,29]. Como na manifestação do Jordão os discípulos escutam a voz do Pai “Este é meu Filho amado”. A cena começa centrada em Jesus mas acaba revelando o jeito de ser de Deus, que se aproxima de nós como amigo. A partir desta experiência Jesus se dedica à obra de formação da fé dos discípulos. A voz que os discípulos agora devem ouvir é a de Jesus, o Verbo do Pai.

 

2. Padre Adroaldo:

O “mistério de Deus” sempre nos supera. Parece que Ele se faz menos acessível pelos caminhos da razão. É na vida pessoal ou coletiva onde Deus se revela presente e manifesta sua Voz. Esta foi a experiência do povo de Israel; esta foi a experiência do próprio Jesus e dos seus primeiros discípulos.

Mateus, no seu relato da Transfiguração, quer transmitir algo da experiência original de poder conhecer a Jesus de uma “outra” maneira e usa expressões intensas: “alta montanha”, “seu rosto brilhou como sol”, “suas vestes ficaram brancas como a luz”, “Moisés e Elias, conversando com Jesus”, “uma nuvem luminosa os cobriu”, e uma “voz”, saindo da nuvem, revelou a verdadeira identidade d’Ele: “Este é meu Filho amado, escutai-o”. São expressões vigorosas que comunicam a emoção de haver descoberto o “outro rosto” de um amigo.

O Evangelho de hoje nos propõe precisamente isso: uma atenção desperta capaz de detectar o pulsar da vida e a presença do Senhor que a habita; uma teimosa convicção de que toda realidade esconde em suas entranhas o poder de resplandecer, de “revelar-se outra”; e uma escuta expectante que nos permite ouvir, em meio o alvoroço de tantas vozes, a Voz que se dirige a cada um de nós e nos sussurra as palavras que possuem o poder de transfigurar-nos: “Tu és meu(minha) filho(a) amado(a)”.

A experiência da Transfiguração é isso: Deus entra no nosso espaço vital, no meio daqueles movimentos difíceis e repetitivos e nos faz deslocar para o alto da montanha. Exatamente ali, naquela visão tão ampla, acontece algo novo. Aqui não estamos no templo, nem num dia sagrado.

No grande silêncio da natureza, ouviremos o sussurro de Sua voz, e nos daremos conta d’Aquele que está passando, pois desde sempre já nos viu, nos conheceu, nos amou e nos escolheu.

Aquela Voz amplia nossos olhos, abre nossa mente e alarga o nosso coração. Sentimo-nos chamados pelo nome e compreendemos melhor a nós mesmos; sentimo-nos envolvidos por uma Presença que nos faz únicos e redescobrimos um sentido novo, um significado inimaginável para nossa própria existência. Voz mobilizadora, que nos arranca de nossas tentativas de acomodação (“façamos aqui três tendas...”) e nos faz descer em direção ao vale do compromisso e do serviço.

O olhar e a voz de Deus nos atraem para a verdade da nossa própria vida: mergulhados na Luz, descobriremos a luz e compreenderemos para onde devemos ir. Finalmente, não nos sentiremos mais sozinhos.

 

3. Luciano Manicardi.

A primeira e a segunda leituras apresentam uma mensagem complementar quando se contrapõe o evangelho que narra a transfiguração de Jesus e os testemunhos da primeira e da nova alianças. Ela está profetizada na visão de um ser semelhante a um filho do homem que recebe glória e realeza de Deus (1.ª leitura); e a narração da visão (2Pt 1,16) de que Pedro beneficiou “no monte santo” dá testemunho dela (2.ª leitura).

A transfiguração mostra que no corpo humano de Jesus se manifesta a glória de Deus. O Deus “que habita uma luz inacessível” (1Tm 6,16) comunica aos homens a sua luz na carne de Jesus de Nazaré. Sim, os cristãos conhecem Deus apenas através de Cristo e Jesus é a plena e definitiva narração da figura de Deus. Mas se Jesus, na transfiguração, se manifesta como “luz do mundo” (Jo 8,12), como aquele sobre cuja figura refulge o esplendor da glória divina (cf. 2Cor 4,6), essa luminosidade não pode não irradiar sobre os discípulos que o seguem, sobre os cristãos. O cristianismo é experiência de luz. Não é costume falar em termos assim impalpáveis do cristianismo, mas se “Deus é luz” (1Jo 1,5), se Jesus é luz do mundo (cf. Jo 8,12), se o Espírito é lumen cordium e se o próprio baptismo é chamado “iluminação” pelo Novo Testamento (Heb 6,4; 10,32), então a fé não pode senão conduzir o cristão a participar nesta luz: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14).

Se a luz do Transfigurado exprime a presença do mistério divino em Jesus, a luz dos cristãos manifesta-se como beleza que reflecte a luminosidade daquele que narra “o próprio autor da beleza” (Sb 13,3). A transfiguração é experiência de beleza (cf. Mc 9,5) e a beleza cristã é relação com o Senhor e comunhão fraterna, não é um dado estático, mas uma realidade em devir, não é algo possuído, mas promessa de felicidade. Daí o cristianismo como filocalia (amor à beleza). Entre Moisés, Elias, Pedro, Tiago e João estabelece-se uma misteriosa comunhão em Cristo, uma comunhão de santos que proclama que Jesus não está só e que os santos vivem no mistério da comunhão que nele tem o seu centro. A catedral de Chartres apresenta os santos do Antigo e do Novo Testamentos reunidos em torno do Beau Dieu, como se fossem muitos raios que proviessem do único sol, da única fonte de luz e de beleza. A beleza cristã é acontecimento de relação e de comunhão, é celebração de figuras e de nomes pessoais chamados à santidade. Beleza, na experiência cristã, é sinónimo de santidade. Da transfiguração deriva, portanto, para os cristãos a tarefa da beleza: uma beleza que impregne as vidas e as relações, o corpo e o espírito, até tornar a vida do crente uma obra-prima humana e espiritual.

No coração desta aventura de relação e comunhão encontra-se a escuta. A transfiguração pode também ser entendida como experiência de escuta da palavra de Deus nas Escrituras: estas, de facto (Moisés e Elias, a Lei e os Profetas), sintetizam-se em Cristo e conduzem a ele. E é ele, o Filho amado do Pai, que é escutado (cf. Mc 9,7) ao longo das Escrituras. A relação dos cristãos com as Escrituras não se reduz a leitura de páginas antigas, mas torna-se escuta de uma palavra viva de Deus (cf. Mc 9,7) e comunhão pessoal com os protagonistas da história da salvação (cf. Mc 9,4).

A experiência extraordinária da transfiguração, de que beneficiaram os três discípulos prediletos, não significou nem a sua plena compreensão do mistério, nem o fim a sua procura, nem o alcançar de uma meta espiritual que os eximisse de prosseguir o caminho de seguimento ou que os preservasse da queda e do fracasso (os três não conseguiram vigiar com Cristo no Getsémani). Eles, ao descer do monte, perguntavam-se “o que queria dizer ‘ressuscitar dos mortos’” (Mc 9,10). Também a visão da “grandeza” (2Pd 1,16) de Cristo remete para uma continuação do seguimento feita de escuta quotidiana da palavra de Deus e do renovar quotidiano da fé. Nenhuma experiência espiritual extraordinária pode dispensar do esforço quotidiano da fé e do seguimento.








SANTO(a) DO DIA
São Mateus
São Mateus

Saiba mais.




TESTEMUNHA DA HUMANIDADE
Dia Mundial da Paz
Dia Mundial da Paz

Saiba mais.