Retiro Mensal

RETIRO MÊS DE JUNHO

SOLENIDADE DE PENTECOSTES

 

Pentecostes - Imagem: Cláudio Pastro

 

Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra! (bis)

 

Tu és bendito, ó Cristo nosso Deus, que tornaste os discípulos cheios de sabedoria, enviando-lhes o Espírito Santo, e por eles enredaste o Universo.
Ó Tu, que amas a humanidade, glória a Ti!

 

Pentecostes, dia do nascimento da Igreja, é o momento em que o verdadeiro significado da Cruz e da Ressurreição de Cristo se manifesta e a nova humanidade retorna à comunhão com Deus. A Igreja tomou consciência da Nova Páscoa, pois o próprio Senhor havia predito: O Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que eu vos disse (Jo 14,26). Pela herança da tradição primitiva da Igreja, os cinquenta dias após a Páscoa constituem uma só festa, celebrados com grande júbilo, porque formavam um único acontecimento e tinham a mesma importância do Domingo da Ressurreição (www.ecclesiae.com.br).

 

Para levar à plenitude os mistérios pascais, derramastes, hoje, o Espírito Santo prometido em favor de vossos filhos e filhas. Desde o nascimento da Igreja, é ele quem dá a todos os povos o conhecimento do verdadeiro Deus e une, numa só fé, a diversidade das raças e línguas (Prefácio).

 

Oração do dia

Ó Deus que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

João 20,19-23

Pentecostes acontece ao mesmo tempo em que a Páscoa, pois a morte de Jesus, sua ressurreição e a dádiva do Espírito Santo constituem uma realidade única. A obra do Filho Jesus, o Enviado do Pai, é plenificada com sua glorificação na cruz e o lado aberto torna-se fonte do Espírito para seus seguidores/as (7,37-39; 19,31-37). Jesus ressuscitado se manifesta no meio dos discípulos reunidos e identifica-se pelas marcas da paixão e morte nas mãos e no lado (20,20.25.27). Com a saudação pascal, repetida três vezes (20,19.21.26), o Ressuscitado infunde confiança, bem-estar, salvação aos discípulos diante do medo e aflição por causa do testemunho do evangelho (20,19; 16,33). Os discípulos se alegraram ao ver o Senhor e são enviados como seus representantes no mundo: Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio (20,21; 17,18). O sopro de Jesus, o Espírito Santo, relembrando o sopro de Deus que tornou vivente o ser humano (Gn 2,7), capacita para continuar a missão salvífica (1,29) que proporciona construir um mundo novo pela misericórdia e conciliação.

 

Atos dos Apóstolos 2,1-11

A leitura dos Atos mostra que Pentecostes era uma festa anual de peregrinação, celebrada cinquenta dias após a Páscoa (Lv 23,15-16), conhecida também como festa das Semanas (Ex 34,22; Dt 16,10) e da Colheita (Ex 23,16). O Espírito Santo plenifica, torna possível a missão confiada por Jesus (At 1,8) e sua manifestação conduz à compreensão e unidade entre os povos.

 

Salmo 104(103)     

O salmo bendiz o Criador, que renova a face da terra com seu Sopro Divino (Gn 2,7). Quando tu, Senhor, teu Espírito envias; todo mundo renasce, é grande alegria! (bis)

                   

1Coríntios 12,3b-7.12-13

Paulo, na leitura da Primeira Carta aos Coríntios, sublinha que fomos batizados num único Espírito, para formamos um único corpo. Há uma diversidade de dons, mas o mesmo Espírito, diversos serviços, mas o mesmo Senhor, diversas atividades, mas o mesmo Deus que opera tudo em todos.

 

Santo Irineu

Ao dar a seus discípulos poder para que fizessem o ser humano renascer em Deus, o Senhor lhes disse: Ide fazer discípulos entre todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19). O Espírito prometido desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes, para fazer todos os povos participar da vida e nova aliança. Assim, naquele dia, todas as línguas se uniram no mesmo louvor a Deus, enquanto o Espírito congregava na unidade as raças mais diferentes e oferecia ao Pai as primícias de todas as nações. O Espírito de Deus desceu sobre o Senhor como espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus (Is 11,2). É este mesmo Espírito que o Senhor por sua vez deu à Igreja, enviando do céu o Paráclito sobre toda a terra. O Senhor confiou ao Espírito Santo o cuidado de suas criaturas. Tendo recebido pelo Espírito a imagem e a inscrição do Pai e do Filho, façamos frutificar os dons que nos foram confiados e os restituamos multiplicados ao Senhor. 

 

Papa Francisco

A Parte superior do formulário

festa de Pentecostes comemora a efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve os sinais e os frutos daquela extraordinária efusão: o vento forte e as chamas de fogo; o medo desaparece e deixa o lugar à coragem; as línguas soltam-se e todos compreendem o anúncio. Aonde chega o Espírito de Deus, tudo renasce e se transfigura. O evento de Pentecostes marca o nascimento da Igreja e a sua manifestação.  

Um elemento fundamental de Pentecostes é a surpresa. O nosso Deus é o Deus das surpresas, sabemo-lo. Ninguém esperava mais nada dos discípulos: depois da morte de Jesus, eles formavam um pequeno grupo, insignificante; órfãos do seu Mestre, derrotados. Porém, verifica-se um acontecimento inesperado, que suscita admiração do povo ao ouvir os discípulos falar a própria língua, contando as grandes obras de Deus (cf. At 2,6-7.11). A Igreja que nasce em Pentecostes é uma comunidade que suscita admiração porque, com a força que lhe vem de Deus, anuncia uma mensagem nova – a Ressurreição de Cristo, com a linguagem nova do amor universal. Um anúncio novo: Cristo está vivo, ressuscitou. Os discípulos estão revestidos de poder do alto e falam com coragem e franqueza, com a liberdade do Espírito Santo.

A Igreja é chamada a ser sempre capaz de surpreender, anunciando a todos que Jesus Cristo venceu a morte, que os braços de Deus estão sempre abertos, que a sua paciência está sempre ali à nossa espera para nos curar e perdoar. Jesus ressuscitou e doou o seu Espírito à Igreja precisamente para esta missão. Em Jerusalém havia quem preferisse que os discípulos de Jesus, impedidos pelo medo, permanecessem fechados em casa. Também hoje muitos querem isto dos cristãos. Ao contrário, o Senhor ressuscitado estimula-os a ir pelo mundo: Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio (Jo 20,21).  A Igreja de Pentecostes é uma Igreja que não hesita em sair, em ir ao encontro das pessoas, para anunciar a mensagem que lhe foi confiada. Que a Mãe do Redentor e Mãe da Igreja obtenha pela sua intercessão uma renovada efusão do Espírito de Deus sobre a Igreja e sobre o mundo.

 

Padre Adroaldo

A comunidade dos seguidores de Jesus, ao compartilhar com Ele o mesmo Sopro, torna-se uma comunidade conspiratória, ou seja, conspirar, com/inspirar, respirar juntos. Ao soprar o Espírito, Jesus e os discípulos respiram o mesmo sonho, a mesma utopia do Reino. Com o Espírito, Jesus se refere à missão. É o mesmo Espírito, seu Sopro, Aquele que O conduziu e quer conduzir a nós também. Quando tomamos consciência desta realidade, realizam-se em nós as palavras de Jesus: a unidade de tudo morando em nós, no Amor – outro nome do Espírito como única realidade que tudo sustenta e constitui. Temos de viver a partir do Espírito, transformando e vitalizando nossos gestos, pensamentos, compromissos, encontros. Por isso, Pentecostes não acontece até que, reconhecendo o Espírito como nossa Identidade mais profunda, nos deixemos guiar por Ele, ou melhor, viver a partir d’Ele. Falar do Espírito e celebrar a festa de Pentecostes consiste em celebrar a vida e a Identidade última de tudo o que existe. Para abrir-nos a este Sopro, de modo que possamos experimentá-lo por nós mesmos, precisamos reconhecer com alegria que necessitamos descansar sempre nisso. Descanso é outro nome do Espírito. No silêncio da mente, o Espírito se revela a nós, não como uma presença separada, mas como presença interna de tudo o que é: Cuidado, Descanso, Dinamismo, Vida em plenitude.