Roteiros

CELEBRANDO

o aniversário de dedicação da igreja

 

Marcelo Guimarães

Penha Carpanedo

 

Toda religião inclui, entre os símbolos que expressam a sua crença, ‘lugares sagrados’ que marcam o encontro com o divino. Estes lugares vão desde uma gruta ou uma pequena ermida construída à beira dos caminhos, em locais distantes da cidade, até os grandes templos e catedrais. Em todos eles o que se quer é expressar a fé na divindade e a busca de sentido para a vida.

No tempo da primeira aliança, na época dos patriarcas, Abraão constrói um altar para invocar o nome do Senhor (cf. Gn 12,7-9); durante sua caminhada pelo deserto, o povo arma a tenda como lugar de reunião e encontro com Deus (cf. Ex 33,7-11) e mais tarde constrói um templo (cf. 1Rs 8,26-29).

As primeiras comunidades cristãs não tinham templo, nem altares. Entendiam que o verdadeiro culto era o do coração e da vida, adoração a Deus em espírito e verdade (cf. Jo 4,23; Ef 2,19-22; 1Pd 2,4-10). Lembravam que Jesus, diante do templo, transformado em casa de comércio, anunciou um novo lugar de encontro com Deus, o seu corpo ressuscitado (cf. Jo 2,14-22). Contudo, os cristãos precisavam de um lugar para fazer a reunião, escutar a palavra e celebrar a eucaristia. No início se reuniam nas casas (At 2,42-47; 20,7-12), como o próprio Jesus fez em sua última ceia (Lc 22,7-13). Mais importante que a construção em si, era a comunidade reunida em torno da Palavra e da Santa Ceia, sinais da presença do Ressuscitado.

Hoje, as nossas comunidades valorizam muito o espaço da oração, muitas fazem o maior esforço para construir a capela ou a igreja porque sentem a necessidade de ter um lugar de referência para a sua fé. Há, em geral, um sentido de reverência pelo espaço ‘sagrado’. O rito de dedicação certamente vai ao encontro  desta sensibilidade.  Por ele a comunidade agradece a Deus que lhe dá a alegria de construir, entre as casas comuns, uma morada especial para se reunir, escutar a Palavra e celebrar os sacramentos. A verdadeira Igreja é feita de pedra vivas, é a comunidade eclesial concreta em um determinado lugar, mas o edifício tem o valor simbólico de marcar o lugar onde ela se reúne para escutar a Palavra de Deus e manifestar sua adesão a ele.

O rito que segue é uma proposta para as comunidades que desejam celebrar o aniversário da dedicação de sua igreja ou capela. Também pode ser adaptado para a celebração do domingo que coincide com a dedicação da basílica de Latrão (9 de novembro) ou ainda para a simples bênção de um espaço de celebração. Ao celebrar a consagração do lugar, tomamos consciência da nossa própria dignidade de filhos e filhas, consagrados a Deus pelo batismo.

 

Chegada

 

Refrão contemplativo (Taizé. n 04).

Onde reino o amor, fraterno amor, onde reina o amor, Deus aí está

 

Abertura

 

Canto de abertura e procissão

Entram em procissão os acólitos com o incenso, a cruz e as velas. Os ministros e ministras que vão coordenar a celebração... Também o leitor, com o livro das leituras, o ícone ou imagem do padroeiro ou padroeira, a ser colocado em destaque durante a celebração...

 

Músicas: Salmo 122:

 

Fiquei foi contente

com o que me disseram:

"A gente vai pra casa do Senhor!"

                      - Mas eu fiquei...

 

1. Nossos passos já pisam teu chão,

   ó cidade bem fortificada!           

   Para lá vai subindo a nação

   as tribos do Senhor,

   pois já virou tradição,

   para celebrar,

   prá celebrar o nome do Senhor!

 

2. Pois é lá que estão os tribunais,

   tribunais da justiça do rei;

   venham todos e peçam a paz  

   para Jerusalém!   

   Vivam tranqüilos demais

   os que te amam;

   dentro de ti, segurança e todo o bem.

 

3. Por aqueles que são meus irmãos    

   os amigos a quem quero bem,

   "paz contigo!" será meu refrão.

   Por causa deste templo,

   que do Senhor é mansão;

   do nosso Deus,

   eu te desejo a paz e todo bem.

 

Sinal-da-cruz

 

Saudação

O(a) coordenador(a) acolhe as pessoas, sobretudo os visitantes, e conclui saudando toda a assembléia:

 

C: Alegremo-nos porque o Senhor armou no meio de nós sua tenda. Que a sua paz esteja com vocês.

T: O amor de Cristo nos uniu!

 

Sentido da celebração e recordação da vida

O(a) animador(a),  introduz o sentido da celebração, procurando unir a memória do Senhor que armou sua tenda entre nós, do santo ou santa a quem a Igreja é dedicada, e da comunidade verdadeira habitação de Deus

 

Invocação ao Cristo:

 

Invoquemos a compaixão de Cristo, cabeça da Igreja que somos todos nós.

 

Senhor, Filho de Deus, nosso salvador, tem piedade de nós.

Senhor tem piedade de nós.

Cristo, habitação da glória do Pai, tem piedade de nós.

Cristo, tem piedade de nós.

Senhor, nosso mestre e pastor, tem piedade de nós.

Senhor tem piedade de nós.

 

Tem compaixão do teu povo, Senhor,

e acolhe agora este nosso hino de louvor.

 

Hino de louvor

Glória a Deus nos altos céus, H 3, p. 91.

 

Oração inicial

Ó Deus, escuta a oração do teu povo que a cada ano

recorda com alegria o dia da consagração deste lugar,

como sinal da tua morada no meio de nós.

Concede-nos a graça de honrar este lugar com a alegria

da comunhão em ti e entre nós

e de fazer de cada celebração sinal e fonte de amor e solidariedade.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

Ou:

 

Ó Deus, que em Jesus fizeste de nós um templo

edificado com pedras vivas e um povo a ti consagrado,

faze que toda nossa vida seja sinal da tua presença.

Concede ao teu povo a força do teu Espírito

e a graça de ser fiel ao teu amor, tu que és Deus e salvador. Amém.

 

Escuta

1Pedro 2,4-9: como pedras vivas vocês formam um edifício espiritual.

 

Salmo de resposta – Salmo 46(45).

 

Os braços de um rio vêm trazer alegria

à cidade de deus, à morada do altíssimo.

 

O Senhor para nós é refúgio e vigor,

Sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia;

Assim não tememos, se a terra estremece,

Se os montes desabam, caindo nos mares.

 

Os braços de um rio vêm trazer alegria

À cidade de Deus, à morada do Altíssimo.

Quem a pode abalar? Deus está no seu meio!

Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.

 

Conosco está o Senhor do universo!

O nosso refúgio é o Deus de Jacó!

Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus

e a obra estupenda que fez no universo.

 

Aclamação ao evangelho

Os acólitos tomam as velas do altar e o incenso e vão até a estante da Palavra enquanto se canta a aclamação:

 

Aleluia, aleluia...

Esta casa eu escolhi e santifiquei,

Para nela estar meu nome, para sempre.

 

Evangelho

João 15,9-17 – Vocês são meus amigos se guardarem minhas palavras.

 

Proclamação do evangelho

A pessoa que vai ler, da estante,  se dirige à assembléia, dizendo:

 

A: O Senhor esteja com vocês.

T: Ele está no meio de nós.

A: Anúncio da boa-nova de Jesus Cristo, segundo João

T: Glória a vós, Senhor.

 

Insensa o livro e depois proclama a Palavra. Ao terminar, diz: “Palavra da Salvação”, beija o livro e o apresenta à assembléia, que se inclina em sinal de adesão a Cristo, palavra do Pai.

 

Partilha da Palavra

Profissão de fé

 

Preces

Como pedras vivas, edificadas sobre Cristo, peçamos a sua intercessão em favor da Igreja e oremos:

 

- Lembra-te, Senhor, da tua Igreja.

 

Ó Cristo, que edificaste a tua casa sobre a rocha firme, firma na fé e na constância, todos os que edificam a cidade nova, resplandecente na justiça e no direito, nós te pedimos.

 

Ó Cristo, videira do Pai, sem ti nada podemos fazer. Guarda a tua Igreja unida a ti, nós te pedimos. 

 

Ó Cristo, semeador da boa semente, torna fecunda a nossa terra para que possamos produzir frutos de amor e compaixão, nós te pedimos.

 

Preces espontâneas...

 

Abraço da paz

A: Irmãos e irmãs, por sua morte e ressurreição, o Cristo nos reconciliou! Demo-nos uns aos outros o abraço da paz!

 

Ação de graças

Terminada a Palavra alguém traz os alimentos que serão partilhados na celebração e os coloca sobre o altar.

O(a) coordenador(a) convida a assembléia a se aproximar do altar e inicia a oração da qual todos participam escutando e respondendo:

 

C: É nosso prazer dar-te graças, ó Pai,

por Cristo Jesus, nosso Salvador.

Tu criaste todo o universo como lugar da tua morada,

e nos dás a alegria de construir, entre as nossas casas,

uma morada onde acolhes o teu povo peregrino sobre a terra.

Na verdade, em Cristo nós somos a tua casa, e este templo

sempre nos recorda a nossa vocação de povo consagrado,

vivificado pelo Espírito, chamado a prestar um culto verdadeiro

e a fazer das nossas vidas uma oferenda santa e agradável a ti.

 

T: Glória a ti, Senhor, graças e louvor.

 

C: Esta comunidade aqui reunida recorda a vitória de Jesus,

escutando a tua Palavra e repartindo o pão,

na esperança de ver o novo céu e a nova terra,

onde não haverá fome, nem morte, nem dor. 

 

T: Glória a ti, Senhor, graças e louvor.

 

C: Como Jesus que, muitas vezes,

reuniu-se com os seus para comer e beber juntos,

revelando que o teu reino havia chegado,

nós também nos alegramos na partilha destes alimentos.

Derrama sobre nós o teu Espírito,

e recebe o louvor de todo o universo

e de todas as pessoas que te buscam.

 

T: Glória a ti, Senhor, graças e louvor.

 

C: Toda a nossa louvação chegue a ti

em nome de Jesus, por quem oramos

com as palavras que ele nos ensinou:

 

T: Pai nosso..., pois vosso é o reino,

o poder e a glória para sempre.

 

Rito da partilha

Após o Pai-nosso, o(a) coordenador(a) parte o pão, dizendo:

 

C: Vocês todos que têm fome e sede de justiça,

venham e comam.

E o Deus da paz esteja com vocês!

Partilha dos alimentos - canto: Salmo 84:

 

O passarinho encontrou

agasalho pra seus pequeninos,

o teu altar, ó Senhor,

é abrigo pros teus peregrinos!

 

1. Como é boa a tua casa,

   como é bom morar contigo,

   por ti suspira a minh'alma,

   meu coração, ó Deus vivo!

 

   Encontrou a andorinha 

   ninho para os seus filhotes,

   o teu altar, tua casa,

   eu encontrei, ó Deus forte!

 

   Bem felizes os que moram

   no limiar de tua casa,

   os que em ti se apoiam

   celebrarão tua graça!

 

2. Bem feliz quem acha em ti

   força para caminhar,

   passando por terra seca

   em fontes vai transformar.        

 

   Tuas bênçãos vão chover,

   tudo vai virar jardim...

   Passando sempre mais fortes

   em Sião vão ver Deus enfim!

 

   Senhor Deus onipotente,

   ouve a prece do teu Cristo,

   repara, ó Deus, nossa força,    

   pra face do teu ungido!

 

3. Pois um dia em tua casa

   vale mais que mil lá fora,          

   a conviver com perversos

   prefiro estar à tua porta! 

 

   O Senhor é sol e escudo,

   graça, glória e alegria,

   aos seus nenhum bem sonega,

   Feliz quem nele confia!

 

   Glória ao Deus que nos acolhe,

   glória ao Cristo salvador,           

   e glória ao Santo Espírito

   do povos terno louvor!

 

Oração final

Ó Deus, luz e amparo dos fracos!

Bendito sejas pela alegria da comunhão em ti

E com esta comunidade que se reúne em tua aliança.

Que possamos sempre esperar e receber

O teu amor no meio da tua casa.

Por Cristo nosso Senhor. Amém.

 


Marcelo Guimarães era presbítero da diocese de Santa Cruz (RS). Doutorado na área de educação sobre o tema Educação para a paz, e era assessor de Liturgia nas comunidades eclesiais e membro da Rede CELEBRA.

 

Penha Carpanedo faz parte da congregação das Pias Discípulas do Divino Mestre, tem mestrado em liturgia, coordena o serviço de redação da Revista de Liturgia, é membro da rede CELEBRA e atua na formação dos animadores e animadoras de Liturgia.