- Espaço Orante | Pias Discípulas do Divino Mestre


Tempo Pascal Ano B

Na vigília pascal, que já é domingo da ressureição, nasce o novo dia que a igreja prolonga em renovada alegria pelos cinquenta dias do tempo pascal. Como afirmava Eusébio de Cesaréia, no século IV: “Se nós realizamos convenientemente esta passagem, uma outra festa, maior, nos espera, que os hebreus chamavam de pentecostes. Ela é uma imagem do reino dos céus. Assim, nós aprendemos a celebrar a festa com mais alegria, como pessoas que foram ressuscitadas com Cristo e gozam do seu reino.”

Estendendo-se do domingo da ressureição ao domingo de pentecostes, o tempo pascal é comemorado como um só e grande dia de festa. Os pais e mães da fé, inspirados pela festa judaica de pentecostes – shavuot – simultaneamente festa de colheita e festa da aliança de Deus no Sinai, festejada por cinquenta dias, entendiam-no como “o grande domingo”, no dizer de santo Atanásio, ou “amplo e gozoso espaço”, segundo a expressão de Tertuliano. Nele, a Igreja vê a realização da profecia do Salmo 118: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e festejemos!”

Celebrar o tempo pascal é festejar, aqui e agora, como um acontecimento do presente, a ressureição de Jesus como uma nova energia de vida e de liberdade para cada pessoa, para as nossas comunidades e para a humanidade inteira em comunhão com a criação, restaurada pelo Espírito do Ressuscitado.

Ao mesmo tempo, relembramos a experiência das mulheres que foram de madrugada ao sepulcro e encontraram o túmulo vazio e os anjos de pé dizendo: “Ele não está aqui. Ressuscitou, como disse”. Refazemos em nossas vidas a experiência dos discípulos aos quais, na tarde do domingo, o Senhor ressuscitado deixou-se ver e lhes disse: “A paz esteja com vocês! Não tenham medo. Sou eu!”. Somos chamados a reviver a caminhada dos discípulos de Emaús e reconhecer a presença do Senhor nos gestos simples da convivência humana, na escuta da palavra da Escritura, no repartir o alimento e na reunião da comunidade. Celebrando hoje a ressureição de Jesus, somos chamados a ser testemunhas e construtores da paz, instrumentos do perdão de Deus para a humanidade e a receber novamente o Espírito que, pelo Filho, o Pai nos envia para vivermos o reino de Deus neste mundo no serviço aos irmãos e na edificação de uma nova sociedade.