Cor: Roxa | 4º Semana do Saltério | Ano Ímpar (I)
Aclamação ao Evangelho
R. Glória a Cristo, Imagem do Pai
a plena verdade nos comunicai!
V. O homem não vive somente de pão,
mas de toda palavra da boca de Deus.
EVANGELHO
Queriam prendê-lo,
mas ainda não tinha chegado a sua hora.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 7,1-2.10.25-30
Naquele tempo,
Jesus andava percorrendo a Galileia.
Evitava andar pela Judeia,
porque os judeus procuravam matá-lo.
Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas.
Quando seus irmãos já tinham subido,
então também ele subiu para a festa,
não publicamente mas sim, como que às escondidas.
Alguns habitantes de Jerusalém disseram então:
“Não é este a quem procuram matar?
Eis que fala em público e nada lhe dizem.
Será que, na verdade, as autoridades reconheceram
que ele é o Messias?
Mas este, nós sabemos donde é.
O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é”.
Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo:
“Vós me conheceis e sabeis de onde sou;
eu não vim por mim mesmo,
mas o que me enviou é fidedigno.
A esse, não o conheceis,
mas eu o conheço,
porque venho da parte dele,
e ele foi quem me enviou”.
Então, queriam prendê-lo,
mas ninguém pôs a mão nele,
porque ainda não tinha chegado a sua hora.
Palavra da Salvação.
Cor: Roxa | 4º Semana do Saltério | Ano Ímpar (I)
Vamos condená-lo à morte vergonhosa.
Leitura do Livro da Sabedoria 2,1a.12-22
Dizem entre si, os ímpios,
em seus falsos raciocínios:
“Armemos ciladas ao justo,
porque sua presença nos incomoda:
ele se opõe ao nosso modo de agir,
repreende em nós as transgressões da lei
e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina.
Ele declara possuir o conhecimento de Deus
e chama-se ‘filho de Deus’.
Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos
e só o vê-lo nos é insuportável;
sua vida é muito diferente da dos outros,
e seus caminhos são imutáveis.
Somos comparados por ele à moeda falsa
e foge de nossos caminhos como de impurezas;
proclama feliz a sorte final dos justos
e gloria-se de ter a Deus por pai.
Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz,
e comprovemos o que vai acontecer com ele.
Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá
e o livrará das mãos dos seus inimigos.
Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas,
para ver a sua serenidade
e provar a sua paciência;
vamos condená-lo à morte vergonhosa,
porque, de acordo com suas palavras,
virá alguém em seu socorro”.
Tais são os pensamentos dos ímpios,
mas enganam-se;
pois a malícia os torna cegos,
não conhecem os segredos de Deus,
não esperam recompensa para a santidade
e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras.
Palavra do Senhor.
Salmo 33(34),17-18.19-20.2l e 23 (p. 19a)
R. Do coração atribulado está perto o Senhor.
O Senhor volta a sua face contra os maus, *
para da terra apagar sua lembrança.
Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta *
e de todas as angústias os liberta. R.
Do coração atribulado ele está perto *
e conforta os de espírito abatido.
Muitos males se abatem sobre os justos, *
mas o Senhor de todos eles os liberta. R.
Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, *
e nenhum deles haverá de se quebrar.
Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, *
e castigado não será quem nele espera. R.
Das Cartas pascais de Santo Atanásio, bispo
(Ep. 5,1-2: PG 26,1379-1380)(Séc. IV)
É muito belo, meus irmãos, passar de uma para outra festa, de uma oração para outra, de uma solenidade para outra solenidade. Aproxima-se o tempo que nos traz um novo início e o anúncio da santa Páscoa, na qual o Senhor foi imolado.
Do seu alimento nos sustentamos como de um manjar de vida, e a nossa alma se delicia com o Sangue precioso de Cristo como numa fonte. E, contudo, temos sempre sede desse Sangue, sempre o desejamos ardentemente. Mas o nosso Salvador está perto daqueles que têm sede, e na sua bondade convida todos os corações sedentos para o grande dia da festa, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba (Jo 7,37).
Sempre que nos aproximamos dele para beber, ele nos mata a sede; e sempre que pedimos, podemos nos aproximar dele. A graça própria desta celebração festiva não se limita apenas a um determinado momento; nem seus raios fulgurantes conhecem ocaso, mas estão sempre prontos para iluminar as almas de todos que o desejam. Exerce contínua influência sobre aqueles que já foram iluminados e se debruçam dia e noite sobre a Sagrada Escritura. Estes são como aquele homem que o salmo proclama feliz, quando afirma: Feliz aquele homem que não anda conforme o conselho dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar (Sl 1,1-2).
Por outro lado, amados irmãos, o Deus que desde o princípio instituiu esta festa para nós, concede-nos a graça de celebrá-la cada ano. Ele que, para nossa salvação, entregou à morte seu próprio Filho, pelo mesmo motivo nos proporciona esta santa solenidade que não tem igual no decurso do ano. Esta festa nos sustenta no meio das aflições que encontramos neste mundo. Por ela Deus nos concede a alegria da salvação e nos faz amigos uns dos outros. E nos conduz a uma única assembléia, unindo espiritualmente a todos em todo lugar, concedendo-nos orar em comum e render comuns ações de graças, como se deve fazer em toda festividade. É este um milagre de sua bondade: congrega nesta festa os que estão longe e reúne na unidade da fé os que, porventura, se encontram fisicamente afastados.