Patriarca dos monges cristãos [Egito, séc. 4, memória, branco]
Recordação da vida
Fazemos a memória de santo Antão, considerado o pai dos monges e modelo do itinerário do cristão para Deus. Antão nasceu no Egito, por volta do ano 250. Tendo ficado órfão jovem, sentiu-se chamado a seguir o Senhor, ouvindo o Evangelho na liturgia: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres” (Mt 19,21). Retirou-se para o deserto, onde viveu na oração, na meditação das sagradas escrituras e no trabalho manual. Buscou crescer na vida espiritual enfrentando suas limitações, tornando-se exemplo de combate espiritual. Morreu no dia 17 de janeiro de 356. Seu exemplo de vida foi logo imitado por muitos homens e mulheres que foram ao deserto e foi divulgado por santo Atanásio que escreveu o relato de sua vida. Assim santo Atanásio descreveu o cotidiano de santo Antão: “Trabalhava com as mãos, pois tinha ouvido que o que não quer trabalhar não tem o direito de comer. Com parte de seu ganho, comprava o pão. O resto distribuía entre os pobres. Orava continuamente, tendo aprendido que é necessário orar pessoalmente sem parar. Além disso, estava tão atento à leitura da Sagrada Escritura que nada lhe escapava: retinha tudo e assim sua memória lhe servia de livro“. Peçamos a nós e a todas as Igrejas esta liberdade de Antão “em aceitar o convite do evangelho, com empenho total e com profunda alegria“.
Texto Patrístico
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Da Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, bispo
(Cap. 2-4: PG 26,842-846) (Séc.IV)
A vocação de Santo Antão
Depois da morte de seus pais, tendo ficado sozinho com uma única irmã ainda pequena, Antão, que tinha uns dezoito ou vinte anos, tomou conta da casa e da irmã.
Mal haviam passado seis meses desde o falecimento dos pais, indo um dia à igreja, como de costume, refletia consigo mesmo sobre o motivo que levara os apóstolos a abandonarem tudo para seguir o Salvador; e por qual razão aqueles homens de que se fala nos Atos dos Apóstolos vendiam suas propriedades e depositavam o preço aos pés dos apóstolos para ser distribuído entre os pobres. Ia também pensando na grande e maravilhosa esperança que lhes estava reservada nos céus. Meditando nestas coisas, entrou na igreja no exato momento em que se lia o evangelho, e ouviu o que o Senhor disse ao jovem rico: Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres. Depois vem e segue-me, e terás um tesouro no céu (Mt 19,21).
Antão considerou que a lembrança dos santos exemplos lhe tinha vindo de Deus, e que aquelas palavras eram dirigidas pessoalmente para ele. Logo que voltou da igreja, repartiu com os habitantes da aldeia as propriedades que herdara da família (possuía trezentos campos lavrados, férteis e muito aprazíveis) para que não fossem motivo de preocupação, nem para si próprio nem para a irmã. Vendeu também todos os móveis e distribuiu com os pobres a grande quantia que obtivera, reservando apenas uma pequena parte por causa da irmã.
Entrando outra vez na igreja, ouviu o Senhor dizer no evangelho: Não vos preocupeis com o dia de amanhã (Mt 6,34). Não podendo mais resistir, até aquele pouco que restara, deu-o aos pobres. Confiou a irmã a uma comunidade de virgens consagradas que conhecia e considerava fiéis, para que fosse educada no Mosteiro. Quanto a ele, a partir de então, entregou-se a uma vida de ascese e rigorosa mortificação, nas imediações de sua casa.
Trabalhava com as próprias mãos, pois ouvira a palavra da Escritura: Quem não quer trabalhar, também não deve comer (1Ts 3,10). Com uma parte do que ganhava comprava o pão que comia; o resto dava aos pobres.
Rezava continuamente, pois aprendera que é preciso rezar a sós sem cessar (1Ts 5,17). Era tão atento à leitura que nada lhe escapava do que tinha lido na Escritura; retinha tudo de tal forma que sua memória acabou por se substituir aos livros.
Todos os habitantes da aldeia e os homens honrados que tratavam com ele, vendo um homem assim, chamavam-no amigo de Deus; uns o amavam como a filho, outros como a irmão.
Oração inicial
Ó Deus, ternura dos humildes,
Antão, teu servo, buscou tua face e te serviu,
na escuta radical de tua Palavra e no silêncio do deserto.
Nós te pedimos a graça de renunciarmos a nós mesmos
e vivermos na intimidade de tua presença.
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém